Entrevista Wetlands Construídos com Prof. Marcelo Antunes Nolasco


Entrevista sobre o uso de wetlands construídos para o saneamento unifamiliar. Ela foi concedida na estação experimental de tratamento de esgotos, parte integrante e um dos produtos da Rede Nacional de Tratamento de Esgotos Descentralizados RENTED, foi construída no Centro Tecnológico de Hidráulica CTH / Escola Politécnica EPUSP, campus Butantã da USP, em São Paulo. O esgoto bruto foi proveniente do Conjunto Residencial da USP e do restaurante central da Cidade Universitária.

Palestra: Introdução ao Saneamento Ecológico


O tratamento de esgoto continua longe da universalização, mesmo em regiões metropolitanas como São Paulo. No entanto, são desses municípios do Cinturão Verde da cidade de São Paulo, que vem quase toda a água que os 22 milhões de habitantes da região metropolitana consomem. Justamente nesses municípios com importantes mananciais, a coleta e o tratamento do esgoto estão mito aquém do necessário. Nestes casos, a responsabilidade de tratar o esgoto é do morador individualmente, porém, a população não recebe orientações e suporte técnico necessário, poluindo muitas vezes o manancial de onde vem sua própria água. Frente a esse cenário, o saneamento ecológico surge como uma solução eficiente e barata, mas ainda pouco conhecida.
O intuito desta palestra é apresentar as diferentes técnicas possíveis para saneamento unifamiliar, com seus prós, contras e comparativos. Será apresentada também uma recente pesquisa da USP que atestou a eficiência e eficácia do tratamento de esgotos com a utilização de plantas, a chamada fitorremediação.

Facilitação: Rodolfo Almeida, Empresário, ambientalista, presidente da OSCIP SEAE – Sociedade Ecológica Amigos de Embu e diretor do Canal InfraVerde. Conselheiro nos conselhos COMAM – Conselho do Meio Ambiente Municipal de Embu das artes, CGAEV – Conselho Gestor da APA Embu Verde, RBCV – Reserva da Biosfera do Cinturão verde de São Paulo, CBH-AT – Comitê de Bacia Hidrográfica Alto Tietê.
Coordenação: Miriam Falótico, bióloga, doutora em Ciências e Educadora Ambiental na UMAPAZ

Público:
funcionários públicos, educadores; estudantes; conselheiros de meio ambiente; administradores de parques e interessados em geral.

Dia:
12 de maio de 2017, sexta-feira
Horário: das 14h às 17h
Local: Sede da UMAPAZ – Parque Ibirapuera. Av. Quarto Centenário, 1268.
Pedestres: Portão 7A.
Estacionamento: Portão 7 da Av. República do Líbano (Zona Azul).

Inscrições: aqui

Avaliação de um sistema descentralizado de tratamento de esgotos domésticos é tema de pesquisa na FSP USP


Buscar uma solução de baixo custo e simplificada para o tratamento descentralizado de esgotos domésticos, foi o objetivo da dissertação de mestrado “Avaliação de um sistema descentralizado de tratamento de esgotos domésticos em escala real composto por tanque séptico e wetland construída híbrida”, de autoria do Eng.º Civil Alexandre Antonio Jacob de Mendonça, defendida no último dia 06 de abril na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, sob orientação do Prof. Dr. Marcelo Antunes Nolasco.


Wetlands
construídas, terras úmidas construídas, leitos ou filtros cultivados ou plantados com macrófitas, leitos vegetados, banhados artificiais e alagados superficiais são algumas das inúmeras denominações utilizadas para designar sistemas de tratamento de esgotos concebidos e construídos pela interferência humana, constituídos por tanques, lagoas ou canais rasos com profundidade inferior a 1 metro, preenchidos por um substrato poroso e inerte (areia, cascalho, pedra, solo, etc) – onde há a formação de biofilme e o crescimento de uma população variada de micro-organismos – e cultivados com macrófitas aquáticas em que, de maneira natural e sob condições ambientais adequadas, ocorre o tratamento dos esgotos por processos biológicos, químicos e físicos, havendo ainda estruturas para controlar a direção do fluxo, o tempo de detenção hidráulica e o nível d’água.

A banca de avaliação da dissertação contou com a participação dos seguintes membros titulares: Prof.º Dr. Biólogo Marcelo Antunes Nolasco (Orientador), Colaborador do PPG em Saúde Pública da FSP-USP, Líder do GEPASS – Grupo de Pesquisa em Água, Saneamento e Sustentabilidade da EACH-USP, Prof.º Coordenador do PPG em Sustentabilidade da EACH-USP e Coordenador da USP no Projeto RENTED – Rede Nacional de Tratamento de Esgotos Descentralizados; Prof.º Dr. Eng.º Civil Roque Passos Piveli, da Escola Politécnica/USP – Depto. de Eng.ª Hidráulica e Ambiental, e do Prof.º Dr. Eng.º Químico Regis Nieto, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e gerente do Setor de Avaliação Ambiental de Sistemas de Tratamento de Efluentes da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB.

Segundo o pesquisador, “a concentração demográfica e de sistemas coletivos de esgotamento sanitário dentro do perímetro urbano da maioria dos municípios brasileiros, dificulta a viabilização do fornecimento de serviços de tratamento de esgotos domésticos à habitações e núcleos habitacionais isolados situados em áreas periurbanas e rurais, intensificando os danos provocados pela poluição de origem antrópica ao meio ambiente e à preservação da saúde pública”, constatação que o motivou a fazer tal pesquisa.

Para contribuir no equacionamento deste problema, o presente estudo teve por finalidade avaliar um sistema de wetland construída híbrida em escala real, composto por uma unidade com fluxo contínuo subsuperficial vertical seguida por uma unidade de fluxo contínuo subsuperficial horizontal, cultivadas com capim Vetiver, para o tratamento de efluente proveniente de tanque séptico.

O experimento, parte integrante e um dos produtos da Rede Nacional de Tratamento de Esgotos Descentralizados – RENTED, foi construído no CTH/Escola Politécnica, campus Butantã da USP em São Paulo. O esgoto bruto foi proveniente do Conjunto Residencial da USP e do restaurante central da Cidade Universitária. O monitoramento do experimento em campo, incluindo o período inicial de partida, durou 6 meses consecutivos. Foram avaliados os parâmetros físico-químicos e microbiológicos do esgoto bruto e do efluente do tanque séptico e das câmaras da wetland construída híbrida durante 97 dias consecutivos.

Os resultados encontrados indicaram que, tanto as mudas jovens quanto as adultas de capim Vetiver adaptaram-se bem às condições ambientais. As eficiências médias de remoção no efluente tratado final quanto à matéria orgânica carbonácea foram de 96% e 90%, para DBO5,20 e DQO, respectivamente, 60% para P-total, 52% para P-PO4, 74% para SST, 96% para SSV, 75% para sólidos sedimentáveis, 44% para SDV, e entre 73% a 100% para óleos e graxas totais. A remoção de N-total foi, em média, de 40%, coliformes termotolerantes, média de 2 a 3 unidades log, Escherichia Coli, média entre 1 e 3 unidades log, Giardia sp, média de 99,995%, Cryptosporidium sp, média de 98,7%, Enterovírus, média de 99,6% e Ascaris sp, mínimo de 0,10 ovo/L. A remoção de sulfetos propiciou a geração de efluente tratado sem odores desagradáveis. A diminuição da vazão aplicada e a elevação do TDH influenciaram positivamente no desempenho do sistema com relação às remoções dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos.

Com base no presente estudo, segundo o pesquisador, “ficou evidente o benefício da associação de wetlands construídas com fluxo vertical e horizontal no tratamento de efluente de tanque séptico e o capim Vetiver apresentou bom potencial de utilização em wetlands construídas para tratamento de esgotos domésticos.

O sistema experimental de tratamento apresentou flexibilidade operacional, mantendo bom desempenho inclusive nos períodos de sobrecarga. A qualidade do efluente tratado final obtido no presente estudo atende às exigências de lançamento e aos padrões de emissão de efluentes líquidos em corpos d’água e em sistemas públicos de esgotamento sanitário definidos na legislação ambiental federal e do Estado de São Paulo.

A tecnologia de wetlands construídas híbridas associada ao tratamento de efluentes de tanque séptico apresentou bom potencial para o tratamento descentralizado de esgotos domésticos, inclusive em regiões com pouca disponibilidade de área livre.

Mais informações com Alexandre pelo e-mail: alexandreajmendonca@usp.br

Fonte: http://www.fsp.usp.br/site/noticias/mostrar/5614

RENTED – Rede Nacional de Tratamento de Esgotos Descentralizados


A Rede Nacional de Tratamento de Esgotos Descentralizados (RENTED) é um projeto financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no Edital Chamadas Públicas MCT/Finep/Ação Transversal Saneamento Ambiental e Habitação 06/2010 no valor de R$ 5.704.961,20, acrescido de R$ 1.650.480,00 para bolsas, perfazendo um total de R$ 7.329.961,20.

A RENTED é coordenada pela Prof. André Bezerra dos Santos, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, tendo se iniciada em 2012 e com término em 2017.

A projeto visa o desenvolvimento de sistemas locais e descentralizados de manejo de águas residuárias de origem doméstica, incluindo aspectos de sustentabilidade e de gerenciamento de subprodutos líquidos, sólidos e gasosos, está dividido em 5 subprojetos integrados dos quais participam 13 instituições.

Quatro dos subprojetos englobam estudos que envolvem:

  1. A caracterização de águas residuárias de origem domésticas: segregadas ou não segregadas.
  2. Os sistemas de manejo de águas residuárias de origem doméstica em empreendimentos habitacionais.
  3. O gerenciamento de subprodutos líquidos, sólidos e gasosos do tratamento de águas residuárias de origem doméstica em empreendimentos habitacionais.
  4. A avaliação da sustentabilidade de sistemas de manejo de águas residuárias de origem doméstica em empreendimentos habitacionais.
  5. Serão coordenados, articulados e integrados segundo um quinto subprojeto de gestão.

Orgãos de Fomento

A Rede Nacional de Tratamento de Esgotos Descentralizados (RENTED) é um projeto financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no Edital Chamadas Públicas MCT/Finep/Ação Transversal Saneamento Ambiental e Habitação 06/2010 no valor de R$ 5.704.961,20, acrescido de R$ 1.650.480,00 para bolsas, perfazendo um total de R$ 7.329.961,20.

Todas as bolsas são administradas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Fonte:  http://www.rented.ufc.br/apresentacao/objetivo/

Vermifiltração é alternativa para o tratamento de esgoto


Entrevista com Francisco José Peña y Lillo Madrid, que desenvolveu o primeiro estudo sobre a viabilidade da Vermifiltração como alternativa para o tratamento de esgoto processo para o Brasil, diante de vários artigos publicados em países como China e Índia, igualmente em desenvolvimento, e também na Austrália. “Aplicação da vermifiltração no tratamento de esgoto sanitário” é o título da dissertação de mestrado orientada pelo professor Tonetti e apresentada na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC).

Cisternas


Diferente das demais tipologias, as cisternas podem também ter contribuição para a drenagem urbana porém, seu intuito maior é armazenar e possibilitar o aproveitamento das águas pluviais. Podem ser adaptadas em diversos recipientes mas, para sua completa eficiência, devem ser contemplados alguns quesitos:

  • Material atóxico e impermeável, que não transmita cheiro ou sabor à agua
  • Filtro para conter material em suspensão nas águas pluviais, locado na tubulação de entrada da água
  • Dispositivo para o descarte da água de escoamento inicial (na falta de dados, a Associação Brasileira de Normas Técnivas – ABNT, recomenda o descarte de 2 mm da precipitação inicial em sua norma NBR 15527/07)
  • Recomenda-se que sejam enterradas visando diminuir a variação da temperatura interna
  • Bloqueio da entrada de luz solar (para evitar a proliferação de algas)
  • Estrutura rígida que permita a sustentação quando estiverem vazias, nos períodos de estiagem
  • Propiciem baixa manutenção e fácil limpeza (recomenda-se a limpeza do reservatório uma vez ao ano)
  • Extravasor de nível

 

No término da tubulação proveniente da calha, instala-se um filtro e um dispositivo que descarta o escoamento inicial das águas pluviais. Além disso, já dentro da cisterna, deve ser previsto um “freio d’água” que irá impedir a agitação e suspensão das partículas decantadas no fundo da cisterna. O excedente de água, flui pelo extravasor de nível que pode ser direcionado para as galerias pluviais. Sistemas simples e menores, tais como cisternas em tambores e galões, agregam uma torneira no recipiente, propiciando o uso da água em quintais e jardins. Caso a edificação tenha uma reservatório e tubulação separada, a água da cisterna será então bombeada para esse sistema.

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Frente a atual crise hídrica em São Paulo, diversos grupos tem divulgado sistemas simples de mini-cisternas em tambores/bombonas, com cerca de 200 litros de capacidade. Abaixo, um desses modelos contém o freio d’água, filtro e torneira para utilização da água acumulada.

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Para maior capacidade de armazenamento, podem ser utilizadas caixas d’água ou cisternas de fibrocimento que, em geral, ficam enterradas no solo. Um sistema hidráulico de água de reuso então, irá alimentar pontos como vasos sanitários e torneiras de jardim.

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Nos Estados Unidos e Austrália, aonde já é comum a utilização de água de reuso, encontra-se um grande leque de fornecedores e diversos modelos de cisternas.

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Pode-se também, prever o armazenamento de água interligado a um wetland. O sistema deve ter um nível d’água constante e, além das águas pluviais, pode receber as águas cinzas da edificação que, após ser filtrada por fitoremediação, pode ser bombeada para um sistema de reuso. Além disso, é uma solução paisagística agradável que pode se integrar facilmente ao jardim.

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Temos então as cisternas como dispositivos de armazenamento que possibilitam o reuso da água, possibilitando então diminuir o consumo da água tratada pelo sistema público.

 

Wetlands Construídos


Wetland é a terminologia inglesa que define áreas úmidas naturais, aonde ocorre a transição entre o habitat aquático e terrestre, tais como mangues, lagos muito rasos, pântanos, brejos e várzeas.

Já os wetlands construídos, lagoas pluviais ou alagados construídos são sistemas naturais de tratamento da água, configurados por grandes depressões topográficas construídas que formam uma bacia alagada de retenção das águas pluviais tendo o nível da água variável porém, nunca ficando seca (sempre parte da água fica detida no sistema). A presença de plantas macrófitas (espécies aquáticas) neste sistema, contribui para o tratamento da água através de fitoremediação no ambiente aquático e solo alagadiço. Esses alagados construídos visam mimetizar os processos ecológicos ocorridos nos sistemas naturais. Diferente dos piscinões de concreto, que detém a água no período da chuva e depois a extravasa, ainda poluída, para o sistema convencional, deixando a bacia vazia e sem nenhum atrativo, os wetlands, além de contribuírem significativamente para o controle das enchentes urbanas e tratarem a qualidade da água, formam lagoas permanentes que criam habitats, tendo grande apelo paisagístico e podem facilmente se tornar locais de recreação. Além disso, podem também compor sistemas que tratam o esgoto doméstico, tendo diversos casos de sucesso nesse sentido.

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Os wetlands podem ser categorizados de acordo com as espécies macrófitas utilizadas, sendo:

  1. Espécies de Macrófitas

a) Flutuantes: espécies enraizadas ou livres (não fixadas ao solo) com folhas flutuantes na superfície da água (exemplos: Eichhornia crassipes (aguapé), Nymphaea Nuphar, Lemma. O recobrimento da superfície com essas espécies produz sombreamento que, restringe o crescimento de algas além disso, seu sistema radicular retém partículas e absorve nutrientes e metais presentes na água.

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b) Submersa: enraizadas ou livres que se desenvolvem completamente debaixo d’água. Como essas espécies só se desenvolvem bem em águas bem oxigenadas, não são recomendadas para o tratamento de esgoto doméstico e sim, em tratamentos secundários e estágios finais de wetlands. Exemplos: Isoetes lacustres, Lobelia dortmanna e Elodea canadenses.

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c) Emergentes: enraizadas porém, com as folhas crescendo para fora da água (exemplos: Juncus spp (junco), Typha angustifólia L. (taboa). Segundo Salati (2006,p.10.) “A profunda penetração do sistema radicular permite a exploração de um grande volume de sedimentos […]”.

Tratando-se de espécies emergentes, podem ser adotados vários sistemas de fluxo hidráulico:

– Fluxo Horizontal (FH): superficial ou sub-superficial

– Fluxo Vertical (FV): descendente ou ascendente

As figuras à seguir, exemplificam a categorização do sistema com plantas emergentes de acordo com os fluxos hidráulicos citados.

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O projeto “Parc du Chemin de I’lle” da empresa Phytorestore, de Thierry Jacquet em Nanterre na França, inaugurado em 2006, é um exemplo relevante de sucesso. Um amplo programa municipal de revitalização urbana de uma área industrial no entorno do Rio Sena, aprovou a construção do parque que, capta as águas do Rio Sena e as trata através de uma rede de wetlands em diferentes níveis.

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Cada trecho tem espécies diferentes, de acordo com a qualidade da água. O primeiro setor, que recebe a água poluída diretamente do Rio Sena, contém a Taboa (Typha angustifolia) e cana comum (Phragmites communis), espécies muito resistentes, destinadas a reter e quebrar o material orgânico em suspensão além de remover poluentes e metais pesados. No segundo setor, as espécies (Equisetum fluviatile), Íris amarela (Iris pseudacorus) e Íris azul (Iris sibirica) entram em ação, filtrando germes e bactérias. Nos trechos subsequentes, foram então empregadas plantas como os Lírios de água (Nymphaea alba), Falso lótus (Nymphoides peltata), e o Maná aquático (Glyceria aquática) que, além de terem a capacidade filtrante, agem oxigenando a água. Foram também criadas áreas pantanosas que abrigam diversos insetos e anfíbios assim como lagoas que, possibilitam a desova de diversas espécies de peixes.

O resultado desse sistema de tratamento é que, a água que entra com elevado nível de poluição, é devolvida ao Rio Sena com a classificação de qualidade de “água balnearia”. No parque, são tratados cerca de 40m³ de água por hora em uma área de 18.000m² e, voltam para o Rio Sena aproximadamente 30 m³/h de água despoluída. Parte da água é utilizada para a irrigação de áreas verdes no próprio parque e, parte é acumulada para que, se o Rio atingir altos níveis de poluição, esse acúmulo de água é despejado imediatamente, impedindo a morte de milhares de peixes, como já aconteceu anteriormente.

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Diversas passarelas cruzam as grandes lagoas vegetadas e praças e áreas de descanso propiciam o intenso uso dos visitantes.

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Outro projeto interessante é do Renaissance Park, em Chattanooga – Tennesse, nos Estado Unidos, da Hargreaves Associates, concluído em 2006. A área de 23 hectares antes abrigava um complexo industrial abandonado.

O solo repleto de contaminantes foi escavado e utilizado para construção de grandes taludes escultóricos devidamente selados, ao invés de ser removido para um aterro sanitário. Espécies de flora exóticas foram retiradas para permitir o crescimento das nativas.

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No centro do parque, é destaque um grande alagado construído, resultado da escavação do solo contaminado, que recebe as águas pluviais do entorno e as conduz tratada para o Rio Tennesse, que margeia o parque. Parte da floresta é uma planície de inundação (floresta de várzea) e, a água percorre esse caminho, importante sistema de filtragem, até desaguar no Rio. Além disso, essa área alagável confere habitat antes extinto para animais silvestres da região

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Fileiras de Gabiões com vegetações filtrantes permeiam o wetland, diminuindo a velocidade de escoamento e, conduzindo sinuosamente a água por entre as plantas. Uma passarela elevada cruza o parque possibilitando ao visitante acompanhar o percurso das águas e a transformação ecológica que se dá no local.

Um anfiteatro se debruça sobre o sistema de tratamento, palco de eventos voltados para a educação ambiental.

O projeto revitalizou não somente a área, como todo o seu entorno, atraindo empreendimentos e valorizando os imóveis.

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O Houtan Park em Xangai – China, projeto da Turenscape é outro caso de sucesso aliando o paisagismo à infraestrutura urbana e serviços ambientais numa antiga zona industrial. O parque, concluído em 2010, deveria abrigar um pavilhão de exposições para a Expo Verde, que ocorre anualmente entre maio e outubro e apresenta tecnologias sustentáveis.

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Um linear alagado construído de 1,7 kilometros de comprimento e 30 metros de largura permeia longitudinalmente a faixa de 14 hectares do parque. filtrando as águas poluídas do rio Huangpu além de contribuir para o controle de enchentes e tratar a orla antes degradada.

De acordo com o escritório Turenscape, são tratados 2400 metros cúbicos de água por dia, trazendo uma economia de meio milhão de dólares, se comparado ao tratamento convencional de água. Terraços de alagados minimizam a diferença de níveis entre o rio e a cidade.

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A água tratada é utilizada para fins não potáveis em todo o parque e pavilhão de exposições. Além disso, esse alagado atua de modo eficaz no controle de inundações.

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Observamos então que os wetlands construídos, embora necessitem de grandes áreas para implantação, tem forte apelo paisagístico, atuando de forma eficaz no tratamento da água e controle de enchentes.

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Biovaletas


Biovaletas ou valetas de biorretenção vegetadas são depressões lineares com elementos filtrantes que promovem a limpeza das águas pluviais, assim como no jardim de chuva. Sua configuração linear, condicionando grande capacidade de volume, aumenta o tempo de escoamento da água, que posteriormente pode ser conduzida à um jardim de chuva. O tratamento do solo, que deve ser descompactado, recebe um tubo de drenagem e camadas de brita e pedrisco, é quesito fundamental para a completa eficiência do sistema.

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A topografia é direcionadora do projeto já que influencia diretamente o percurso da biovaleta. Cornier e Pellegrino (2008, p.132.) esclarecem que “[…] As biovaletas são compostas de células ligadas em série, de modo a seu extravasamento dar-se em seqüência, seguindo a declividade do terreno. Contribuindo para a sedimentação dos poluentes, cada trecho é iniciado por uma bacia de sedimentação.”. O primeiro fluxo de água da chuva, que lava as superfícies com que entra em contato (poluição difusa), se infiltra no solo e, somente isso já contribui para melhorar a qualidade da água que corre superficialmente pelo sistema. A vegetação então, atua filtrando contaminantes conduzidos pela água. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), não é aconselhável a implantação de biovaletas em locais aonde o lençol freático é muito baixo (cerca de um metro e meio) pois o solo ficará instável.

Na Philadelphia, muitas vezes as chuvas contribuíam para a sobrecarga da rede de esgoto que, culminava no transbordamento do sistema, acabando por contaminar também os cursos d’água. A cidade então, implantou o programa “Philadelphia Verde” e adotou diversas tipologia de infraestrutura verde.

No Cliveden Park, a condução das águas foi feita aproveitando a declividade natural do terreno e, através da manipulação topográfica suave foram feitas depressões formando assim “terraços – bacias” que detém e acumulam a água até culminar no transbordamento por meio de uma cascata. A água do transbordo então é conduzida até o próximo terraço e assim sucessivamente. A intervenção suave fez com que a biovaleta fosse incorporada a paisagem do parque de forma muito sútil, tornado-se um elemento paisagístico.

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Devido ao caráter longitudinal que pode assumir, muitas aplicações são vistas junto à estradas e estacionamentos.

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A empresa SvR desenvolveu o projeto de infraestrutura para bairro High Point em Seattle, com mil e seiscentas unidades habitacionais, aonde o manejo das águas pluviais foi elemento direcionador. Além de pisos drenantes e jardins de chuva, foi implantada uma rede de biovaletas em todo o bairro. A figura abaixo ilustra todo o esquema para condução das águas desenvolvido no projeto.

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Embaixo da biovaleta que está locada junto à rua, se encontra a tubulação de drenagem Do bairro, contida numa área de solo rochoso, que recebe as águas pluviais já filtradas, em caso de chuvas muitos intensas, e conduz para o lago próximo “Longfellow Creek”.

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Um exemplo de aplicação no Brasil, pode ser visto na Praça das Corujas, em São Paulo, projeto de Elza Niero e Paulo Pellegrino, que foi premiado com Menção Honrosa pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 2008. Por estar em uma baixada, a região da praça sempre sofreu com enchentes nos dias de chuva forte. Foi implantado então, um sistema de drenagem que escoa as água pluviais por meio de biovaletas até o Córrego das Corujas, que passa pela Praça e vai desaguar no Rio Pinheiros. Os caminhos da praça são de materiais drenantes como o piso intertravado e pedrisco.

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Temos então, as biovaletas como estruturas que conduzem e purificam a água da chuva escoada, sendo muito eficientes na drenagem urbana e retenção de poluentes.

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