Biovaleta


Biovaletas ou valetas de biorretenção vegetadas são depressões lineares com elementos filtrantes que promovem a limpeza das águas pluviais, assim como no jardim de chuva. Sua configuração linear, condicionando grande capacidade de volume, aumenta o tempo de escoamento da água, que posteriormente pode ser conduzida à um jardim de chuva. O tratamento do solo, que deve ser descompactado, recebe um tubo de drenagem e camadas de brita e pedrisco, é quesito fundamental para a completa eficiência do sistema.

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A topografia é direcionadora do projeto já que influencia diretamente o percurso da biovaleta. Cornier e Pellegrino (2008, p.132.) esclarecem que “[…] As biovaletas são compostas de células ligadas em série, de modo a seu extravasamento dar-se em seqüência, seguindo a declividade do terreno. Contribuindo para a sedimentação dos poluentes, cada trecho é iniciado por uma bacia de sedimentação.”. O primeiro fluxo de água da chuva, que lava as superfícies com que entra em contato (poluição difusa), se infiltra no solo e, somente isso já contribui para melhorar a qualidade da água que corre superficialmente pelo sistema. A vegetação então, atua filtrando contaminantes conduzidos pela água. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), não é aconselhável a implantação de biovaletas em locais aonde o lençol freático é muito baixo (cerca de um metro e meio) pois o solo ficará instável.

Na Philadelphia, muitas vezes as chuvas contribuíam para a sobrecarga da rede de esgoto que, culminava no transbordamento do sistema, acabando por contaminar também os cursos d’água. A cidade então, implantou o programa “Philadelphia Verde” e adotou diversas tipologia de infraestrutura verde.

No Cliveden Park, a condução das águas foi feita aproveitando a declividade natural do terreno e, através da manipulação topográfica suave foram feitas depressões formando assim “terraços – bacias” que detém e acumulam a água até culminar no transbordamento por meio de uma cascata. A água do transbordo então é conduzida até o próximo terraço e assim sucessivamente. A intervenção suave fez com que a biovaleta fosse incorporada a paisagem do parque de forma muito sútil, tornado-se um elemento paisagístico.

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Devido ao caráter longitudinal que pode assumir, muitas aplicações são vistas junto à estradas e estacionamentos.

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A empresa SvR desenvolveu o projeto de infraestrutura para bairro High Point em Seattle, com mil e seiscentas unidades habitacionais, aonde o manejo das águas pluviais foi elemento direcionador. Além de pisos drenantes e jardins de chuva, foi implantada uma rede de biovaletas em todo o bairro. A figura abaixo ilustra todo o esquema para condução das águas desenvolvido no projeto.

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Embaixo da biovaleta que está locada junto à rua, se encontra a tubulação de drenagem Do bairro, contida numa área de solo rochoso, que recebe as águas pluviais já filtradas, em caso de chuvas muitos intensas, e conduz para o lago próximo “Longfellow Creek”.

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Um exemplo de aplicação no Brasil, pode ser visto na Praça das Corujas, em São Paulo, projeto de Elza Niero e Paulo Pellegrino, que foi premiado com Menção Honrosa pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 2008. Por estar em uma baixada, a região da praça sempre sofreu com enchentes nos dias de chuva forte. Foi implantado então, um sistema de drenagem que escoa as água pluviais por meio de biovaletas até o Córrego das Corujas, que passa pela Praça e vai desaguar no Rio Pinheiros. Os caminhos da praça são de materiais drenantes como o piso intertravado e pedrisco.

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Temos então, as biovaletas como estruturas que conduzem e purificam a água da chuva escoada, sendo muito eficientes na drenagem urbana e retenção de poluentes.

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